PROJETO

Objetivos específicos do subprojeto

  • Refletir criticamente sobre a dicotomia entre teoria e prática na formação dos professores de História e buscar estratégias para a integração entre teoria e prática a partir das contribuições da Didática da História e da Educação Histórica;

  • Incentivar o processo de criação e circulação de narrativas sobre eventos históricos, preferencialmente, por meio de competências próprias à linguagem digital1 como a multimídia, o hipertexto e a autoria coletiva.

  • Desenvolver junto com os professores da educação básica (supervisores) estratégias para a curadoria para as narrativas históricas produzidas pelos estudantes. O curador é aquele que promove, seleciona, edita as histórias produzidas pelos estudantes. Sua tarefa é ampliar as condições de produção do conhecimento (ARAÚJO, 2017).

  • Promover uma maior integração entre os professores de História da Educação Básica e os recursos disponíveis nos laboratórios de informática das escolas;

1 “História digital” (Digital History) é um termo criado nos Estados Unidos em 1997 para se referir às abordagens que procuravam pesquisar e representar o passado empregando as novas tecnologias da comunicação. Em sua origem, a História digital estava ligada também ao ensino de história por meio de documentos históricos disponibilizados em meios digitais. (LUCHESI e LEAL, 2016). Assumindo a íntima conexão entre pensamento e linguagem podemos afirmar que a tecnologia digital não é uma mera ferramenta didática, mas uma linguagem, uma forma de pensar o mundo que tem importantes implicações para o modo como ensinamos história

    • Contribuir, por meio das atividades didáticas de História, para o aprimoramento das práticas sociais de leitura e de escrita, assim como para o letramento científico ao colocar em prática procedimentos científicos próprios da ciência da história;

    • Criar um canal de Youtube e perfil nas redes sociais para amplificar o público da divulgação das narrativas histórica produzidas pelos estudantes;

    • Editar verbetes na Wikipedia por meio de trabalho coletivo para a pesquisa, compilação e produção de conhecimento histórico com valor pedagógico;

    • Realizar reuniões periódicas com os bolsistas, os alunos voluntários, supervisores e coordenadores para o planejamento pedagógico e discussão de referências historiográficas que irão fundamentar a intervenção didática;

    • Promover a participação dos integrantes do projeto no CONPEX-UFG 2020 para a apresentação dos resultados parciais da investigação.

    • Organizar um seminário integrado do PIBID História para a apresentação dos resultados obtidos nas atividades didáticas e para fomentar a interação entre escola e universidade;

- Descrição do contexto social e educacional dos municípios escolhidos para articulação, explicitando a relação entre o contexto apresentado e as atividades do subprojeto

Segundo indicam as pesquisas, o uso da tecnologia e o acesso à internet tem crescido nas escolas públicas brasileiras, pois, 81% das escolas do país declaram possuir laboratório de informática. Porém, apenas 59% destes laboratórios tem sido incorporados ao processo de ensino-aprendizagem. No caso específico do Estado de Goiás, os índices são menores, uma vez que o laboratório de informática está presente em 72% das escolas públicas. Embora, de modo geral, o uso da informática seja percebido de maneira positiva pelos professores2, ainda é possível observar uma integração tímida dos recursos digitais nas aulas de História. Sendo assim, não chega a ser surpreendente que nos Objetos Digitas de Aprendizagem (ODA) disponibilizados no site da prefeitura de Goiânia (http://www.sme.goiania.go.gov.br/site/index.php/educadores/recursos-digitais), apenas um seja de conteúdo histórico/historiográfico. Diante disso, umas justificativas que legitimam o presente projeto é a produção de intervenções didático-pedagógicas com o objetivo de fomentar a efetiva incorporação de elementos da linguagem digital às aulas de História. Em outras palavras, as atividades a serem propostas pelo PIBID além de promover o uso efetivo dos laboratórios de informática terá com o objetivo possibilitar que discussões contemporâneas da Historiografia sejam apropriadas e ressignificadas de acordo com as necessidades específicas das escolas goianas.

- Como o desenvolvimento das atividades do subprojeto contribuirá para o desenvolvimento da autonomia do licenciando

2 Em âmbito nacional, “77% [dos professores] concordam que passaram a se comunicar com alunos com maior facilidade, 85% a adotar novos métodos de ensino e 94% passaram a ter acesso a materiais mais diversificados ou de melhor qualidade” (Cf. VARELA, 2017).

O presente projeto pretende contribuir para o desenvolvimento da autonomia do licenciando na medida em que esses professores em formação farão uma imersão na cultura escolar e, a partir das demandas específicas da escola, irão elaborar atividades pedagógicas de acordo com os parâmetros teórico-metodológicos indicados (Didática da História, Educação Histórica, História Digital e História Pública). Certamente, todas as iniciativas serão orientadas pelo coordenador de área e acompanhadas pelo supervisor, mas os protagonistas das ações serão os licenciandos que terão a oportunidade de testar caminhos e estratégias didáticas significativas no processo de ensino-aprendizagem. Tudo isso, partindo do pressuposto segundo o qual a convivência no ambiente escolar traz uma contribuição insubstituível na formação dos professores, porque se constitui como um tempo de aprendizagem através de um período de permanência no ambiente de exercício do ofício. Assim, a iniciação à docência será realizada como uma oportunidade para a produção de conhecimento e de pesquisa. Logo, a iniciação à docência não se constitui em uma mera temporada de imersão nas escolas. Pelo contrário, o estágio supervisionado envolve também discussões teóricas, uma preparação prévia para a observação participante e a intervenção didática junto ao professor da educação básica. Nesse sentido, a iniciação à docência evidencia para os licenciados que as análises sobre o processos de ensino de história sempre precisam levar em conta as particularidades do contexto em que a escola está inserida. Portanto, é fundamental que os pibidianos realizem uma observação atenta da realidade socio-cultural e da materialidade (espaço físico, arquitetura) da instituição escolar e de que maneira isso afeta o processo de ensino-aprendizagem de História. É durante a imersão nas escolas que os estudantes têm contato com os ritmos e o tempo de aprendizagem próprios da experiência escolar

- Quais estratégias para a valorização do trabalho coletivo para o planejamento e realização das atividades previstas

O trabalho coletivo será um dos eixos articuladores do trabalho. Estão previstas reuniões semanais na Faculdade de História para o planejamento das atividades didáticas bem como para a discussão de referências bibliográficas sobre os campos da Didática da História, Educação Histórica, História Digital e História Pública. Além disso, em harmonia com a temática do projeto, haverá um esforço para que a tecnologia e as redes sociais possam contribuir também para a realização do trabalho coletivo dos envolvidos.

- Quais estratégias de articulação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com os conhecimentos da área do subprojeto;

Como se sabe, o debate sobre a incorporação da tecnologia ao ensino já chegou ao nível das políticas públicas educacionais. Das dez “competências gerais para a educação básica” citadas na última versão da BNCC, por exemplo, o termo digital/tecnologia aparece em quatro delas. Dentre elas, duas competências, de maneira mais específica, apontam para o desenvolvimento da capacidade de lidar com a linguagem digital, vejamos: “4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo; 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva” (Cf. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase). Além disso, desde 2015 o PNLD contempla os objetos digitais de aprendizagem (ODA) que incluem vídeoaulas, jogos digitais e animações (COSTA e GABRIEL, 2014). Os ODA são arquivos digitais usados para fins educacionais que ficam armazenados em repositórios digitais e disponíveis para professores, alunos e demais interessados (SOUZA, 2017). Dessa maneira, ao tomar a linguagem digital em articulação com a Didática da História o presente subprojeto mostra-se em sintonia com a Base Nacional Comum Curricular.

- Quais estratégias adotadas para a inserção e ambientação dos licenciandos na escola

Em um primeiro momento, os alunos bolsistas e voluntários ficarão responsáveis pela elaboração do diagnóstico da escola por meio de análise da a estrutura física e de outras características da cultura escolar local. Essa tarefa envolve a leitura do Projeto Político Pedagógico, a observação das aulas dos professores de história e entrevistas com estudantes, professores e membros da direção. Ao longo desse processo, os pibidianos entram em contato com a cultura escolar, e podem refletir sobre a função docente de forma contextualizada. Este contato com a prática e o ambiente profissional é fundamental para a formação inicial do aluno, pois supera a concepção de formação de professores

assentada no aplicacionismo e na transposição didática. Depois desse momento, de acordo com as demandas identificadas no diagnóstico serão realizadas as intervenções didático- pedagógicas em consonância com os parâmetros teóricometodológicos explicitados ao longo do projeto. Por fim, haverá um momento destinado à avaliação das atividades com uma reflexão sobre os pontos positivos e os pontos que precisam ser melhorados.

- Estratégias de acompanhamento da participação dos professores da escola e dos licenciandos

Todas as atividades desenvolvidas pelos alunos envolvidos no projeto serão acompanhadas pelo coordenador e pelo supervisor. Além disso, haverá reuniões periódicas na Faculdade de História e nas escolas com o objetivo de preparar o planejamento e a execução das intervenções didáticas.

- Resultados esperados para o subprojeto

  • Promover a integração entre as discussões teóricas e as práticas de ensino no âmbito da formação de professores de história, favorecendo o intercâmbio de conhecimento entre a escola e a universidade;

  • Contribuir para ampliar o uso da linguagem digital nas aulas de História da Educação Básica em Goiânia;

  • Desenvolver estratégias de ensino-aprendizagem inovadoras que articulem os pressupostos da Didática da História, História Digital e as demandas da educação básica;

  • Mobilizar os professores da educação básica como coformadores dos futuros docentes, valorizando, assim, o saber da experiência docente produzido no chão da sala de aula;

  • Fomentar a formação continuada dos professores da educação básica, especialmente, por meio do desenvolvimento das competências e habilidades necessárias para a curadoria das narrativas históricas a serem produzidas pelos estudantes em linguagem digital.

- Estratégias de articulação entre teoria e prática e de articulação entre universidade e escola no desenvolvimento das atividades do subprojeto

Poucas questões são tão criticadas seja no âmbito da historiografia, do ensino de história ou da educação de modo geral como a oposição entre teoria e prática. Do mesmo modo que a teoria sem a prática pode soar como mero ‘verbalismo’, a prática sem teoria se apresenta como um simples ativismo. Além disso, outro problema relatado pelos professores da educação básica é o baixo interesse dos estudantes pelos estudos históricos expresso nas seguintes falas comuns na sala de aula: “para que serve estudar história se o passado não vai voltar a acontecer”? Ou ainda, “a História só estuda gente morta e coisas velhas”. Diante disso, o presente subprojeto de iniciação à docência pretende lançar mão da principal contribuição trazida pela Didática da História e pela Educação histórica ao campo do ensino de História no Brasil, qual seja, o apontamento de caminhos para a integração entre a teoria, a prática de pesquisa e o ensino de história na educação básica. Em outras palavras, buscaremos investigar de que modo a didática da história e a educação histórica nos ajudam a pensar o lugar da história na sociedade brasileira a partir da pergunta: por que estudar história hoje?

No que diz respeito à Didática da História, a principal preocupação do subprojeto será pesquisar de que modo acontece a relação entre história e vida prática em um mundo presentista no qual há tanto uma desvalorização do passado histórico, quanto uma descrença em relação aos projetos utópicos de futuro (HARTOG, 2013). Nesse contexto, procuraremos compreender e potencializar os processos de criação, divulgação e circulação de interpretações históricas realizadas pelos estudantes seja na no espaço escolar, seja na esfera pública de maneira mais ampla por meio de diversas linguagens.

Para investigar as conexões entre a história e a vida prática iremos priorizar a mobilização da categoria de consciência histórica que diz respeito à capacidade humana de perceber a sua própria historicidade entendida como estrutura existencial de um ser histórico e lançado na temporalidade (HEIDEGGER, 2012). Sendo assim, a consciência histórica engloba às operações de interpretação do mundo e de si mesmo mobilizando as

instâncias temporais do passado, presente e futuro. Percebemos, portanto, que a consciência histórica é mais do que um mero conhecimento de informações sobre o passado, mas envolve uma interpretação do presente que mobiliza lembranças em busca de projetar um futuro. Em poucas palavras, a consciência histórica é a operação de constituição de sentido para a experiência temporal, sintetizada em uma narrativa que fornece orientação e contribui para a constituição da identidade pessoal e coletiva Quanto a isso, acreditamos que qualquer investigação sobre a consciência histórica no mundo contemporâneo deve levar a sério o desafio colocado pelas tecnologias da informação e comunicação. Afinal de contas, grande parte do público da educação básica hoje é formada pelos chamados nativos digitais, isto é, jovens que nasceram no contexto de expansão das tecnologias e mídias digitais. Conforme Pensky (2001) os alunos nativos digitais pensam e processam informações de um modo diferente e, poderíamos acrescentar, interpretam a história e recorrem ao passado de maneira distinta. Desse modo, analisaremos como as características do mundo digital que podem ser exploradas nas aulas de história, tais como são a interatividade, a colaboração, a autoridade compartilhada, a hipertextualidade e a multimídia.

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Referências bibliográficas

ARAUJO, Valdei. O direito à História: o (a) historiador (a) como Curador (a) de uma experiência histórica socialmente distribuída. In GUIMARÃES, Géssica; BRUNO, Leonardo; PEREZ, Rodrigo (Org). Conversas sobre o Brasil: ensaios de crítica histórica. Rio de Janeiro: Autografia, 2017.

HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiência do tempo. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Editora Vozes, 2012.

LUCCHESI, Anita; LEAL, Bruno Pastor. “História digital: Reflexões, experiências e perspectivas”. In: MAUAD, Ana Maria; ALMEIDA, Juniele Rabêlo de; SANTHIAGO, Ricardo (org.) História pública no Brasil: Sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016.

PRENSKY, Marc. Nativos digitais, imigrantes digitais. NCB University Press, Vol. 9 No. 5, outubro, 2001. Disponível em: http://www.colegiongeracao.com.br/novageracao/2_intencoes/nativos.pdf . Acesso em 08/03/2019.

RÜSEN, Jörn. Didática da história: passado, presente e perspectivas a partir do caso alemão. Práxis Educativa, v. 1, n. 2, p. 7-16, 2006.

___________. História viva. Brasília: UnB, 2007

Souza, Renato Fontes de. Objetos digitais de aprendizagem de História do Brasil para o Ensino Médio: uma proposta de roteiro avaliativo para o professor-curador. 2017. 140 f. Dissertação (Mestrado Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Currículo) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017

VARELA, Gabriela. “Há laboratórios de informática em 81% das escolas públicas, mas somente 59% são usados”. Época. Publicado em 04/08/2017. Acesso em 11/02/2020. https://epoca.globo.com/educacao/noticia/2017/08/ha-laboratorios-de-informatica-em81- das-escolas-publicas-mas-somente-59-sao-usados.html0